Privatização do SAAEJ deve movimentar debates políticos
Chegou à Câmara Municipal um projeto decisivo para o futuro do SAAEJ: a autorização para que a Prefeitura de Jaboticabal defina novos rumos para a autarquia, por meio de concessão de serviço público, por dento determinado.
E depois dos anos de “parceria” tudo volta ao município, inclusive os investimentos que certamente serão realizados em curto, médio e longo prazos.
É natural que esse assunto gere dúvidas na população. No entanto, é preciso ser claro: a crise atual não nasceu agora. Ela é fruto de décadas de má gestão e da ausência de investimentos estruturais. Como por exemplo, quando a antiga gestão passou ao SAAEJ toda gestão do lixo residencial, sem garantir um centavo de repasse, marcando o início de toda crise.
Mesmo com os avanços da última gestão, que ampliou postos e conseguiu atenuar parte do problema da falta de água, a solução definitiva não veio. Agora, não há mais como adiar decisões.
A realidade é dura: milhões de reais em contas atrasadas, desde 2020, sangram o caixa do SAAEJ. O que antes era empurrado com a barriga chegou ao seu limite. E o dilema está posto: ou seguimos no improviso, ou adotamos um novo modelo capaz de trazer recursos reais para transformar o sistema.
Experiências em cidades vizinhas já mostraram que a iniciativa privada tem fôlego financeiro para garantir os investimentos necessários. Os resultados são claros: menos interrupções no abastecimento e mais eficiência. E, ao contrário do medo que muitos têm, os reajustes nas tarifas não chegam de forma brusca; eles acontecem de maneira gradual, acompanhando a evolução do serviço.
Jaboticabal não pode continuar refém de um modelo que se esgotou. O momento exige coragem política e visão de futuro. A água é um bem essencial e estratégico, e o que está em jogo não é apenas a gestão do SAAEJ, mas a segurança hídrica de toda a cidade. Se a privatização ou a capitalização mista for o preço para garantir que nunca mais falte água em nossas torneiras, então é preciso encarar essa escolha de frente.